Thomas Sankara vive!

“A
problemática em torno das árvores e as florestas é exclusivamente a da harmonia
entre o indivíduo, a sociedade e a natureza. Este combate é possível. Nós não
retrocedemos ante a imensidade da tarefa nem viramos as costas ao sofrimento
dos demais, pois a desertificação não tem fronteiras” (Thomas Sankara,
“Conferência sobre a árvore e a floresta: o imperialismo é o incendiário
de nossas florestas e nossas savanas [05/02/1986]”)
Sankara foi o
elemento central da revolução democrática popular em Burkina Faso (antigamente
denominada República do Alto Volta, foi colônia da França até a década de
1960). País localizado na parte ocidental da África atualmente faz divisa com 6
países: Mali, Níger, Costa do Marfim, Ghana, Togo e Bênin. Era rico em ouro e
os donos do país se enchiam de dinheiro às custas da fome e miséria do povo.
Em 4 de agosto de
1983, Sankara liderou um movimento insurgente desde uma base militar em Pô até
a capital, Uagadugu. Instaurando 4 anos de governo revolucionário com o poder
nas mãos dos camponeses, trabalhadores, mulheres e jovens. O povo de Burkina
Faso estava mobilizado em levar a frente campanhas de alfabetização (o
analfabetismo atingia 92% da população), de vacinação (a esperança de vida era
de somente 43,8 anos de idade), de abertura de poços de água, de plantação de árvores e criação de florestas, de construção de moradias e eliminação das
relações opressivas de classe na sociedade. Àquela época o país era um dos mais
pobres do mundo com quase 8 milhões de habitantes.
Nacionalizou a
terra para que os camponeses (90% da população na época da revolução) pudessem
produzir alimentos e vencer a fome do povo.
Lutava contra o
misticismo e a excisão feminina (mutilação genital). Algo que não se conseguiu
vencer e se intensificou com o fim do governo revolucionário, a partir de 1987.
Com firmeza
internacionalista, Sankara compreendia que o marxismo “era a generalização
das lições das lutas da classe trabalhadora a caminho de sua emancipação por
todo mundo, enriquecida por cada batalha.” (WATERS, Mary-Alice, Prefácio
de “Thomas Sankara: discursos de la revolución de Burkina Faso
1983-87”). Visitou Cuba em 1984 e 1986, e Nicarágua em 1986, onde foi
escolhido para falar em nome das 180 delegações internacionais durante a
comemoração de 25 anos da criação da FSLN (Frente Sandinista de Liberación
Nacional), com mais 200 mil pessoas presentes.
Traído por seu
“companheiro” Blaise Compaoré, Sankara e mais 12 de seus assistentes
foram assassinados e o governo revolucionário destituído em um golpe de estado
em 15 de outubro de 1987.
Viva Thomas Sankara!

Viva a luta dos povos da África!