Os ventos de mudança precisam virar tempestade

Na noite de hoje (quarta-feira, 29), a Câmara dos
Deputados apreciou a PEC que visava alterar o artigo 206 da Constituição
Federal que proíbe a cobrança de mensalidades em instituições públicas. Com 304
votos favoráveis e 139 contrários, a PEC não alcançou o mínimo (308 votos) para
ser aprovada para alterar a redação constitucional. Ela buscava liberar a
possibilidade de cobrança de mensalidades em universidades públicas para os
cursos de pós-graduação lato sensu.
Isso representa mais uma vitória contra a junta
golpista de Michel Temer que havia “adotado” a proposta. O governo já sofreu
outro revés depois das manifestações do dia 15 de março que levaram mais de 1
milhão de pessoas às ruas em todo o Brasil contrários à destruição da
Previdência social. Pretendia votar em primeiro turno a PEC 287 ontem, no dia
28 de março. As mobilizações populares foram capazes de adiar a votação da
contrarreforma da Previdência. Além disso, uma parte dos senadores
peemidebistas (com o oportunista Renan Calheiros a frente) também se declararam
contra a sanção da Lei das Terceirizações, por que esta “dificulta” a aprovação
da PEC 287. Tanto a PEC derrotada quanto a Lei das Terceirizações, apesar de aprovada, serviram de “ensaios” para a aprovação da pauta capitalista mais importante que é a Contrarreforma da Previdência. O governo golpista está em refluxo. Com esse tipo de quórum, a PEC da Previdência não passa, mas as negociatas, acordos e chantagens estão sendo costurados no campo da direita. É visível que estamos ganhando novamente as ruas, como atestaram o dia 8 de março e o dia 15 em comparação com o fracasso vergonhoso dos atos de rua puxados pelo MBL no dia 26. Mas a situação nacional como um todo ainda permanece desfavorável. A ofensiva golpista tem reservas de força a serem acionadas. Só a continuidade e intensificação da luta de massas, de baixo para cima, pode derrotar o projeto fascistizante do movimento golpista. A decisão das “Centrais” de adiar a greve nacional para daqui a quase um mês tem um efeito de desmobilização. A generalização da luta exigirá energia redobrada na mobilização de baixo para cima. 
Quanto às esperanças contraditórias que muitos acalentam de uma saída na eleição presidencial de 2018, é necessário ter claro que além da terra arrasada até lá, se o movimento golpista continuar com capacidade de iniciativa, certamente implantará o parlamentarismo e uma contrarreforma política hiper-reacionária.

O avanço das mobilizações e as vacilações do bloco
dominante são sintomas evidentes de que a correlação de forças entre as classes
dominantes e o bloco de todos os explorados e oprimidos está mudando de balanço.
“Tudo que é sólido se desmancha no ar”. É fundamental que as organizações
progressistas e revolucionárias jamais se deem por satisfeitas, mas sim
intensifiquem mais e mais as mobilizações, a organização, os enfrentamentos
combativos de classe até não sobre pedra sobre pedra desta junta golpista.
Derrotar a junta golpista implica em enfrentar decisivamente todos os escusos
interesses dos monopólios nativos e estrangeiros, associados ao imperialismo e
ao latifúndio. Só a luta muda a vida, mesmo que demore, a vitória é possível e
necessária!