ELEVAR A CONSCIÊNCIA DO POVO E ORGANIZAR A RESISTÊNCIA DEMOCRÁTICA

Guilherme Boulos e Sônia Guajajara para presidência da república

O Brasil enfrenta há cerca de dois anos um cenário de destruição avassaladora dos direitos sociais, da suas liberdades democráticas, das cadeias produtivas e da soberania nacional. O golpe de 2016 inaugurou um processo de retrocesso secular em termos civilizatórios. Como já afirmamos em outros documentos, a Juventude Comunista Avançando considera o golpe não como a simples destituição de Dilma Rousseff, mas como um processo que começa por dentro e por fora do seu governo, e foi articulado pelo imperialismo desde Washington, com apoio de agentes internos no território nacional.

Essas eleições não ocorrem de forma ordinária: elas transcorrem em um clima de exceção. Apenas para citar alguns casos, uma presidenta ilegalmente impedida, o líder das intenções de voto e provável vencedor preso sem provas, uma vereadora de uma das maiores cidades do país assassinada brutalmente.

Os objetivos do golpe estão associados aos principais interesses do imperialismo na região: adequar a política econômica do Brasil em proveito do capital financeiro estrangeiro e desmontar as bases de apoio dos governos mais avançados do continente, criando condições para a liquidação da Venezuela e de outros.

A grande dificuldade dos golpistas em continuarem seu projeto esbarra nas eleições. Até então os golpistas não conseguiram emplacar um candidato viável e com chances de vitória. Os candidatos tradicionais da direita, especialmente Alckmin e Meirelles, foram rejeitados pelo povo que associa as mazelas cometidas pelo do governo Temer à essas figuras.

O único sujeito que alcançou uma projeção maior foi um “outsider”, que embora defenda em termos econômicos e políticos tudo aquilo que almeja o imperialismo, os latifúndios e os monopólios, está envolvido num invólucro de aparência anti-sistema. Bolsonaro canaliza, ao mesmo tempo, a indignação normal com a situação política do país e as tendências profundamente reacionárias, elitistas, racistas, machistas e violentas da classe dominante brasileira. Em resumo, Bolsonaro é a síntese de um fascismo terceiro-mundista sem projeto nacional autônomo e anti-patriota que apenas copia esquematicamente os produtos ideológicos mais desprezíveis do estrangeiro e os mistura com os ainda vivos elementos da mentalidade escravagista e com os suspiros nostálgicos dos tempos de um Brasil sufocado pelo coturno entreguista dos militares.

Esse sujeito e o projeto que ele representa estão associados com os interesses golpistas. A direita golpista não o tinha como preferido por saber que mesmo tendo uma sólida base de apoio que alcançou a faixa dos 28% de intenções de voto, a sua rejeição é ainda maior, tornando-o um candidato pouco viável de vencer. Agora, com a candidatura de Alckmin sendo a preferida, saindo derrotada a poucos dias da eleição mais importantes dos últimos 29 anos, é possível que os interesses do movimento golpista e Bolsonaro comecem a se alinhar diretamente.

Por isso, Bolsonaro, como representante da continuidade da tragédia do governo Temer, representa o maior inimigo da classe trabalhadora e do povo pobre do Brasil.

Felizmente, a resistência democrática, uma grande quantidade de movimentos, coletivos, setores, partidos políticos, organizações, artistas, intelectuais, jornalistas, personalidades, dos mais variados matizes, não estão adormecidos.

A campanha do #EleNão representa uma resposta contundente contra o retrocesso civilizatório de Bolsonaro que é apoiado por Temer e seus aliados. Representa uma resposta, ainda que difusa, eclética, amorfa e desorganizada, aos intentos fascistizantes da ordem. Por isso, a nossa grande tarefa é conseguir elevar a consciência das massas associando Bolsonaro ao capital financeiro e ao imperialismo (não apenas como alguém destemperado), organizando esse amplíssimo movimento numa força social capaz de sair apenas da retroação e avançar em direção à ruptura com a ordem dominante.

A Juventude Comunista Avançando, desse modo, defende a unidade contra os golpistas e fascistas e defende que é possível o entendimento entre as candidaturas de Boulos, Ciro e Haddad sobre a necessidade de combaterem conjuntamente esse inimigo em comum.

Defendemos Guilherme Boulos e Sonia Guajajara como melhor alternativa política dessas eleições, considerando que está praticamente certo que o campo popular estará no segundo turno e que é imprescindível qualificar as eleições com uma candidatura que defende um programa mais próximo projeto antiimperialista, anti-monopolista e anti-latifundiário.

Apesar de respeitarmos, não concordamos com a posição do “voto útil”. Para nós as eleições e o voto devem ser entendidos apenas como elemento tático associado e subordinado aos horizontes estratégicos do socialismo. Isso não significa ter uma posição purista de só votar no candidato mais revolucionário, tampouco uma posição pragmática de votar apenas naquele que tem melhores condições de vitória independente do seu programa. O purismo e o pragmatismo são as duas faces do dogma. Vale dizer: levando em conta a análise concreta da realidade em que as candidaturas Haddad e Ciro apesar de oporem-se ao programa do golpe, ambas têm profundas ilusões reformistas e desenvolvimentistas e estão mais suscetíveis a cometer os erros crassos que levaram o Brasil a crise atual. Pela impotência das candidaturas do golpe diante da grave situação de vida do povo brasileiro, é necessária a defesa da candidatura de Boulos e Sonia como um programa proletário e popular de recuperação do país sendo difundido entre a massa do povo, elevando a organização e consciência da nossa gente para travar as lutas que abram caminho para a construção do socialismo no Brasil.