Moscou 1985

Baseado no livro “Moscou – uma cidade para o
homem”, escrito por Vladimir Promislov, presidente do Soviete Urbano de
Deputados do Povo de Moscou, algo próximo do que chamamos de Prefeito,
trazemos um panorama de como era a capital soviética em 1985, que mesmo
em um período de declínio da URSS, apresentava indicadores absurdamente
avançados, muitos inclusive comparando por exemplo, com São Paulo, nossa
maior cidade, nos dias de hoje.
Ciência e Educação

Moscou, com uma população de 8,5 milhões de habitantes, possui 3% da
população da URSS e lá trabalham 25% dos cientistas do país. Em número
de trabalhadores, a ciência passou a ocupar, na cidade o segundo lugar,
perdendo apenas para a indústria.

Ao passo que no Brasil temos
cronicamente uma queixa da população com a educação básica, com falta de
vagas e estrutura, em Moscou, haviam mais de 1100 escolas de ensino
médio. Na capital soviética, mais de 630 mil jovens estudavam em 78
estabelecimentos de ensino superior mantidas pelo Estado Soviético que
via a importância da educação em seu projeto de nação. Ao passo que
hoje, 30 anos depois, nossa maior metrópole, São Paulo, com uma
população de 12 milhões, possui cerca de 120 faculdades, sendo 95% delas
privadas e com uma abrangência intelectual mínima.
Vale destacar
que além da grandiosa Universidade de Moscou fundada em 1755 com 15
faculdades e mais de 30 mil estudantes, a cidade contava também com a
Universidade da Amizade dos Povos Patrice Lumumba, uma universidade
voltada exclusivamente para a prática da solidariedade internacional,
trazendo estudantes de 110 países da America Latina, África e Ásia. Lá
era plenamente garantido de forma gratuita o ensino, a assistência
médica, e a moradia estudantil.
Estrutura
Sob a jurisdição
do Estado Soviético, em Moscou funcionavam 5500 estabelecimentos
comerciais, mais de 8000 empresas de alimentação pública e toda uma
enorme rede de transporte coletivo, que contava com 1600 ônibus
elétricos, 1000 bondes, 6000 ônibus e 17000 táxis, sendo que ao todo
diariamente a rede pública de transporte moscovita transporta mais de 15
milhões de pessoas, uma quantidade maior do que qualquer cidade do
mundo. Para andar de ônibus na cidade, se gastava apenas 5 centavos de
rublo.
Enquanto São Paulo sofre uma longa crise de abastecimento
devido as irresponsabilidades de seu governo, em Moscou diariamente
eram fornecidos cerca de seis milhões de metros cúbicos de água, ou em
média 700 litros por habitante e com o plano de em poucos anos aumentar
para 1000 litros diários.
O fundo residencial da cidade é de mais de
2,7 milhões de apartamentos, praticamente todo pertencente ao Soviete
de Moscou. Para cada moscovita corresponde uma área habitável de 17m²,
ou 68m² para uma família de quatro pessoas. O problema habitacional em
Moscou não era de casas sem pessoas nem pessoas sem casa, mas apenas o
desafio de assegurar para cada família um apartamento com todas as
comodidades urbanas modernas e correspondente ao seu tamanho, muito a
frente da situação de São Paulo hoje, que tem um déficit habitacional de
670 mil residências, num dado da prefeitura. A construção habitacional é
90% custeada pelo Estado que cobra um aluguel a um preço de menos de um
terço do custo de manutenção do lar, buscando garantir a universalidade
do atendimento do direito humano a uma moradia, que inclusive consta na
constituição soviética.
Esporte e Cultura
Moscou contava
com 63 museus, com grande destaque aos estabelecimentos construídos na
década de 30 nas estações de metrô, como forma de levar a cultura a
classe trabalhadora no seu dia a dia. Eram mais de 300 bancas de livro e
200 livrarias na cidade, mais de 120 cinemas, 30 teatros, dentre estes,
o mundialmente famoso Bolchói. São Paulo hoje conta com 78 museus,
sendo 27 deles dirigidos pela iniciativa privada. Na URSS, todos eles
eram públicos e mantidos pelo Estado, que via na cultura uma importante
dimensão da formação humana.
A capital soviética tinha mais de 100
parques municipais e hortos florestais, 1400 ginásios esportivos, 60
estádios e mais de 400 campos de futebol. O que em muito se deveu as
várias obras feitas para as Olimpíadas de 1980, muito apesar de antes
disso Moscou já ser uma cidade muito esportiva.
Política

Toda a superintendência da cidade de Moscou é feita pelo próprio povo,
através do órgão estatal Soviete Urbano de Deputados do Povo de Moscou.
Ao passo que hoje em São Paulo, a representação legislativa é exercida
por 55 vereadores, que na atual legislatura, não conta com nenhum jovem e
apenas 5 mulheres, em Moscou eram eleitos 1000 deputados com mandatos
de dois anos e meio. No verão de 1982, destes 1000 deputados, cerca de
metade eram operários, 456 eram mulheres e quase um terço tinham menos
de 30 anos de idade.

Saúde
Evidentemente a assistência
médica era prestada universalmente e de forma gratuita a população. Cada
habitante está registrado na policlínica do local onde mora. Em Moscou
haviam cerca de mil policlínicas e ambulatórios, 430 farmácias, 243
hospitais com um total de 124 mil leitos. Cada hospital grande possui
junto de sua estrutura uma policlínica, para assegurar a continuidade do
tratamento de seus pacientes antes e depois da hospitalização. Os
grandes hospitais moscovitas servem de base clínica para os numerosos
institutos de pesquisa da cidade de forma a orientar todos os progressos
científicos da saúde para o bem estar da população.
Esses e
muitos outros aspectos mostram o quanto é possível ser feito em termos
sociais quando a economia e a política estão voltadas para o bem do povo
e não do interesse de oligarcas. Essa preocupação com o ser humano é
típica do socialismo, que tem por base ética-filosófica o humanismo
concreto. A União Soviética, enquanto um processo concreto, calcado na
realidade concreta, não deixou de ter seus erros, contradições e
limitações, mas são exemplos como esses da cidade de Moscou que nos
mostram a grandiosidade do que construíram o povo soviético, e nos dão a
certeza da possibilidade de construir algo diferente do que existe hoje
e a certeza que a humanidade só poderá encontrar sua prosperidade no
futuro, no socialismo.