A JCA na USP é Universidade em Movimento

As
diferenças específicas externas [entre a situação existente no Brasil e a que
prevalece na Europa]  dizem respeito ao contexto histórico: procedem da
estrutura e dos dinamismos do capitalismo monopolista na era atual, da
existência de um setor hegemônico da burguesia que é agente da dominação
imperialista, do papel ativo desempenhado pelo Estado (nas mãos dessa burguesia
associada), no desenvolvimento econômico, na propensão em tratar as classes
oprimidas, em geral, e o seu setor operário, em particular, como um
“inimigo da ordem” […], convertendo a luta de classes em
“questão de polícia”.
Florestan Fernandes
(Nós e o marxismo, Expressão Popular, 2009)
Não é a toa que mais uma vez a USP esteja chamando a atenção de todo o
Brasil. Criada em 1934 (quando já havia algumas Faculdades espalhadas por todo
o país, mas nenhuma Universidade de Fato), teve sempre papel importante no
desenvolvimento de toda a República até os dias de hoje. Conserva ainda o
status de maior Universidade da América Latina, com uma comunidade que já
supera a quantia de 110 mil pessoas. Destas, segundo a carta-programa da chapa
Universidade em Movimento, apenas 0,94% tem participação na definição das
políticas adotadas pela reitoria. Carrega, portanto, a marca da ausência de
democracia que faz parte da estrutura do capitalismo dependente e associado
brasileiro.
Desta vez, e novamente, a USP chama a atenção pela valentia de seu corpo
discente, que desde o ano passado vem tentando criar
condições para travar uma luta de massas pela democracia interna na
Universidade. Um dos pontos altos dessa batalha
tem girado em torno do convênio entre a Universidade e a Polícia Militar que
permite a entrada desta última no campus. Esta situação nos faz regredir a uma condição
comparável ao período que culminou com as ações repressivas dos primeiros anos
da ditadura militar. Vale lembrar: em 1948, o então reitor Lineu Prestes entregou ao
secretário de segurança pública um documento de 17 laudas contendo informações
dos professores para que a polícia política pudesse classificá-los. Em 1950, o
reitor Ernesto Leme já declarara perseguição aos comunistas, solicitando ao
Serviço Secreto do DOPS informações a respeito dos principais dirigentes
comunistas no Estado de São Paulo, que tivessem ligações com a USP, sejam eles
estudantes ou professores. Com a instauração da ditadura militar em 1964 a
violência desmedida contra professores e estudantes, com prisões, expulsões e
aposentadorias forçadas (como no caso de Florestan Fernandes) obteve a total
conivência por parte da Reitoria sob gestão de Gama e Silva. Desde então,
somente com a gestão de Rodas na reitoria da USP que novamente a ação
repressiva externa pôde agir livremente, instaurando um clima de terror na
Universidade com perseguições aos estudantes e acusações arbitrárias. Desde a assinatura deste convênio temos visto uma sequencia de
episódios em que a luta dos estudantes é tratada como se fosse crime, haja
vista a reintegração de possa de “moradia retomada”. Mais uma vez
assistimos à conversão da luta de classes em “questão de polícia”, e
voltamos a enxergar com clareza que a luta pela superação do capitalismo
dependente liga as reivindicações democráticas com a estratégia socialista.
Para o movimento estudantil a questão possui semelhanças. É necessário
aliar a luta de massas e as lutas pelas questões mais sentidas e urgentes a um
projeto de transformação da Universidade como um todo. A Universidade
brasileira tem se desenvolvido em compasso harmônico com as necessidades do
Capital monopolista em crise. Tem se adequado às exigências do mercado, que são
as exigências da burguesia nacional associada à imperialista, a mesma que trata
o povo como “inimigo da ordem”. Na USP este processo tem se dado com
intensidade ainda maior por conta da gestão Rodas, que possui um longo
histórico de medidas privatizantes e autoritárias. É necessário inverter
justamente esta lógica, colocando a Universidade a serviço das classes
oprimidas, tanto no que diz respeito ao acesso, quanto no que diz respeito a
sua produção de ciência e tecnologia.
Neste sentido, o movimento estudantil brasileiro ainda tem muito o que
avançar. E temos certeza que é com luta honesta e com unidade exercida na
prática que se avançará. A discussão que tem feito o movimento estudantil da
USP, principalmente pela chapa Universidade em Movimento aponta para as questões
fundamentais que estão em jogo. O Movimento precisa superar velhos vícios, e
isso só é possível no transcorrer da própria luta. É na construção do movimento
desde as suas bases, com reflexão, formulação e combatividade que se logrará
derrotar a elitização da USP, que é também elitização do conhecimento, da
cultura e da ciência que se produz em nosso país.
Vote na Chapa Universidade em
Movimento!