Finaliza o 18° Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes em Quito

Conversando
com os comunistas do Equador percebemos que a história desse país é marcada por
instabilidade política. Foram muitos
golpes de Estado e deposições de presidentes onde houve tanto a toma do Palácio
por generais, quanto pelo movimento popular. Esses processos demonstraram o descontentamento e rebeldia do povo
equatoriano, mas não foram capazes de construir uma alternativa mais além da
rejeição ainda imatura ao modelo de desenvolvimento capitalista. O Processo
autoproclamado como “Revolução Cidadã” é um novo momento no quadro político do
Equador e o povo tem interesse renovado quanto aos rumos do país. Ao rejeitar a tentativa de golpe aplicada
contra Correa, os equatorianos
deram demonstrações de estar em outro nível de maturidade política. Em 2010, a burguesia subserviente ao
imperialismo tentou aplicar um golpe a partir de uma greve da polícia que
manteve o presidente sequestrado, ao mesmo tempo em que “convocava o povo a
governar”. Mas diferente de outros momentos históricos o povo tomou as ruas
para defender o processo em curso e o presidente eleito.

Entre
as medidas mais marcantes do governo Correa estão o fechamento da Base Militar
de Manta, controlada pelos EUA, a realização de plebiscitos e a reforma
constitucional, medidas que fortalecem o espaço para organização e participação
popular. Esse é um processo muito contraditório, tem forte influência de países
como Venezuela e Bolívia, mas deve ser analisado a partir de sua própria
dinâmica. O Partido Comunista do Equador (PCE) e sua juventude (JCE), que tiveram grande protagonismo na
construção do XVIII FMJE, apoiam a Rafael Correa, sem participar do governo e
mantendo suas críticas, e nos
fornecem importantes aportes para conhecer mais de perto esse processo.
Os últimos dias do
Festival
Hoje
foi o último dia do 18° FMJE. As reuniões ao total foram mais de 2 dezenas. Na
manhã do dia 10, quarta-feira, soubemos da triste notícia do assassinato de
mais um camarada do Partido Comunista do México. Imediatamente fomos levar
nossos sentimentos de solidariedade aos camaradas da Liga da Juventude
Comunista, juventude do PCM, aos quais nos propusemos para auxiliar no que fosse
possível. O paramilitarismo no México já tem feito diversas vítimas entre os
lutadores sociais como suposta luta contra o “narcotráfico”, reforçando no país
o que já ocorre há tempos na Colômbia, tudo com a conivência do Estado,
demonstrando que as classes dominantes se organizam tanto dentro da
institucionalidade burguesa como por fora dela.

Falamos
em nossa nota do dia 9, que a Resolução Política mundial do Festival estava,
desde o nosso ponto de vista, avançada. O mesmo não se pode falar da Resolução
Regional da América Latina. A Resolução Regional foi aprovada sem contemplar os
pontos de vista distintos, colocados em reunião anterior, o que acaba passando
uma ideia pouco realista sobre o que passa em nosso continente. Por exemplo, o
governo brasileiro foi apontado como “progressista e revolucionário”, junto com
os demais governos mais avançados de nosso continente. Isso diverge de outros
documentos da própria Federação em que a caracterização do Brasil é feita de
forma distinta de países como Venezuela, Bolívia e Equador.

No
dia 12, a JCA participou de um
espaço deveras importante. Foi
uma reunião convocada pela Juventude Comunista do Equador (JCE), com o objetivo
de aglutinar as Juventudes Comunistas do mundo presentes no 18° FMJE. O
entendimento comum é que a luta contra o imperialismo não pode ser separada da
luta contra o próprio sistema capitalista. Também houve pleno acordo sobre a
necessidade de se manter o caráter amplo e democrático da FMJD, o que não
exclui a necessidade de articulação das JC´s no sentido de ser uma fração
resoluta na luta contra o imperialismo e pela paz, que sabemos ser apenas
plenamente possível na sociedade sem classes. A exitosa reunião contou com a
presença de 18 JC´s de todo o mundo e aprovou uma saudação ao Festival como um
primeiro passo na articulação conjunta dessas juventudes, o que se pretende que
seja mais desenvolvido. Além disso, as JC´s presentes concordaram que seja
feito um esforço para tornar a articulação da JC´s algo mais duradouro, que se
passe a debater no interior de cada uma a possibilidade de que o próximo ano
seja um ano para dar passos nesse sentido. A reunião também marcou sua
solidariedade aos camaradas mexicanos. Outras formas mais simples de
articulação imediata também foram encaminhadas.

Hoje,
dia 13, foi o último dia. Além de poucas reuniões, participamos de um bonito
ato em solidariedade aos camaradas mexicanos. Dele participaram muitas
juventudes comunistas de todo o mundo.

Agora
estamos nos preparando para a viagem. O 18 FMJE acabou. Saímos do Equador fortalecidos,
pois também sai fortalecida a articulação internacional anti-imperialista e
entre as Juventudes Comunistas. A JCA tem que fortalecer mais e mais suas
relações internacionais, como uma trincheira inseparável da luta em nosso país, visto que o desenvolvimento desigual da luta
de classes no mundo faz com que cada passo que se dê em um país seja um passo a
mais na luta pela revolução socialista mundial.

Viva
o 18° FMJE!
Viva
a luta anti-imperialista!
Viva
a unidade das Juventudes Comunistas!
Delegação
da JCA ao 18° FMJE

Quito,
13 de Dezembro de 2013.