Calúnia e falsificação histórica: a tática das classes dominantes e dos oportunistas para combater o legado de Luiz Carlos Prestes

Por Davi Machado Perez –
PCLCP SC
            Há um episódio da trajetória
de Luiz Carlos Prestes e do movimento comunista no Brasil que é
sistematicamente manipulado ou falsificado pelos intelectuais orgânicos das
classes dominantes com o objetivo de combater ou ocultar a imagem histórica do Cavaleiro da Esperança. As conclusões
rasas sobre o fato são costumeiramente utilizadas como “saída pela tangente”
para qualquer debate político que envolva o legado de Prestes. Trata-se do
apoio que os comunistas deram à política de Getúlio Vargas quanto este se
colocou ao lado dos aliados e contra o nazi-fascismo no desfecho da Segunda
Guerra Mundial. As falsificações grosseiras sobre o fato e os seus antecedentes
são constantemente reproduzidas por aqueles que estão enganando ou pelos que estão enganados.
            Quais foram os antecedentes de tal fato? Com a derrota da
Aliança Nacional Libertadora – ANL em 1935, Luiz Carlos Prestes e Olga Benário
foram presos. Olga extraditada grávida para a Alemanha nazista – onde viria a
ser assassinada numa câmara de gás – e Prestes permaneceu preso numa solitária
durante 9 anos.  Ao longo desse período a
irmã de Prestes, Lygia e sua mãe, Leocádia, lideraram uma campanha
internacional pela libertação de Prestes, Olga e sua filha, Anita Prestes. A
campanha conquistou primeiramente a liberdade de Anita, que só veio a conhecer
o pai, Luiz Carlos Prestes, com a sua libertação em abril de 1945.
No
período de desfecho da Segunda Guerra Mundial (1943-1945) Getúlio Vargas se
colocou ao lado dos aliados (EUA, Inglaterra, URSS, etc.) contra o eixo
(Alemanha, Itália, Japão, etc.) e promoveu aberturas democráticas no Brasil,
com a anistia dos presos políticos e a legalização do Partido Comunista. A
política dos comunistas no mundo inteiro era, nesse momento, a de unir todas as
forças para derrotar o nazi-fascismo, e no Brasil não foi diferente. O PCB se
pronunciou publicamente em favor dessa política de combate ao eixo e pelo envio
de soldados brasileiros para lutar contra o fascismo na Europa, quando
inclusive muitos jovens comunistas se alistaram e enfrentaram as tropas de
Mussolini na Itália. Esse apoio não consistiu em nenhum tipo de acordo, nem
troca de favores, foi apenas um pronunciamento público em favor dessa posição
num período em que o principal inimigo da humanidade eram as forças nazifascistas.
A
calúnia das classes dominantes e dos oportunistas embaralha esses períodos e
distorce os fatos com chavões do tipo “depois de Getúlio entregar Olga aos
nazistas, Prestes o apoiou”. Alguns chegam ao ponto de dizer que Prestes foi
cúmplice da entrega de Olga, ou que apoiou Getúlio no período em que Olga foi
deportada, misturando fatos ocorridos com 9 anos de distância entre um e outro,
sendo que em todo esse período Prestes esteve preso numa solitária. Busca-se
também responsabilizar individualmente a figura de Prestes por posições que
eram do Partido Comunista ou até do Movimento Comunista Internacional como um
todo. A completa imprecisão das informações que são repetidas sem reflexão,
mostra que a intenção dessa campanha de difamação é de fato desinformar e
confundir, arranjando subterfúgios para negar o “conjunto da obra” de Prestes e
dos comunistas brasileiros.
Evidente
que muitos erros foram cometidos por Prestes e pelos comunistas, e uma análise
mais profunda desses erros pode ser encontrada em textos críticos e
autocríticos do próprio Luiz Carlos Prestes e de sua filha, Anita Prestes[1]. Mas essa posição em
específico foi acertada naquele período. De fato, era a tarefa central da
humanidade unir todas as forças que se opunham ao eixo. Prestes nunca fez
nenhum acordo de cúpula com Getúlio. Permaneceu 9 anos preso por ter pego em
armas contra Vargas e simplesmente acompanhou, no período próximo de sua saída
da prisão, a posição dos comunistas de apoiar as forças que estavam enfrentando
o nazi fascismo.
A
tática da manipulação e falsificação histórica cria esses tipos de clichês que
muitas vezes são usados fora de contexto simplesmente para não enfrentar o
desafio de conhecer o legado político, cultural, teórico e histórico de Luiz
Carlos Prestes. O exemplo de Prestes, que tendo tudo para se deixar cooptar
sempre se colocou ao lado dos explorados e oprimidos, é muito perigoso para as
classes dominantes e para os oportunistas. Ainda mais levando em conta que nos
últimos 10 anos de sua vida ele foi um homem independente, sem nenhum bem material,
que defendeu incansavelmente a necessidade de criarmos as condições para a
construção do partido revolucionário[2] e da revolução socialista
no Brasil. Posição essa também seguida e até hoje defendida por Anita Leocádia
Prestes.
Fica
a tarefa de aprendermos com os erros e acertos das lutas passadas e buscarmos
sempre desmistificar as manipulações grosseiras fabricadas pelas elites para
difamar e ocultar a imagem dos lutadores e lutadoras do nosso povo. Nenhuma
reconstrução revolucionária do movimento comunista brasileiro que vise combater
o oportunismo pode ser conivente com a calúnia e a falsificação histórica.


[2] Outra mentira bastante utilizada
pelos oportunistas para ocultar o fato de que Prestes – entre 1980 e 1990 – defendia
a necessidade de se criarem as condições para a construção de um partido
efetivamente revolucionário, é afirmar que ele se filiou ao PDT nestes anos.
Prestes apenas apoiou candidaturas do PDT como às de Leonel Brizola, mas não se
filiou há nenhum partido. São inúmeras as entrevistas no período em que ele
afirma não pertencer a nenhuma sigla partidária. Ver:
https://www.facebook.com/pclcp/videos/1037629413024486/

Resposta de Anita Prestes à essa questão em entrevista para o programa Espaço Público.