Após vitória histórica para a reitoria da UFSC, o desafio é avançar nas conquistas e acumular força na luta pela Universidade Popular!

     A
vitória de Roselane e Lúcia para a reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina
(UFSC) por 52,47% contra os 47,53% a candidatura da situação Paraná e Vera
Bazzo é algo bastante significativo. Sendo a eleição para reitoria na UFSC
paritária (ou seja, cada um das três categorias possui um terço do peso total
de votos), o apoio do movimento estudantil foi decisivo: Rose fez 67,60% dos
votos, o que representa mais de 6.500 estudantes. A candidatura Paraná venceu
entre os professores e servidores técnico-administrativos.
     Após
o dia 17 de Novembro, data da votação do primeiro turno, as eleições para a
reitoria polarizou o movimento. Por um lado, era a clara posição do grupo
historicamente hegemônico na UFSC desde sua fundação, que criminalizou o
movimento estudantil, que manteve comprovadas práticas de corrupção e uso
indevido do dinheiro público (como no caso da intervenção às fundações da UFSC
há 3 anos atrás), que tem tentado repetidas vezes privatizar a nossa
universidade, seja através da cobrança de taxas, da restrição no uso dos
espaços públicos da universidade pela comunidade, seja através do crescente
incentivo ao patenteamento do conhecimento produzido na universidade pelos
grandes monopólios nacionais e estrangeiros. Por outro lado, Roselane já como
vice-diretora do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) em 2005, diretora
desde 2008, foi eleita por voto universal (CFH é o único centro da UFSC que nas
eleições permite o mesmo peso de votos a todos indivíduos independente da
categoria), com amplo apoio entre os estudantes. Neste centro manteve uma
prática transparente e democrática, apoiando as lutas das três categorias, com
destaque ao apoio às lutas do movimento estudantil na constituição da Bolsa
Permanência e o apoio à realização do I Seminário Nacional de Universidade
Popular (SENUP) em 2011.
     Nos
próximos 4 anos de sua gestão, o movimento estudantil terá grandes
possibilidades de avanço e necessitará estar permanentemente mobilizado,
mantendo sua autonomia. A chapa vencedora teve posicionamentos claros pela
manutenção do Hospital Universitário (HU) 100% público, gratuito e de qualidade
e referência como hospital-escola; a extinção das taxas acadêmicas, incluindo
do vestibular; a reativação de concursos públicos para cargos extintos (como
segurança, cozinheiro, motoristas) que freia a crescente terceirização; a
abertura para definição de pró-reitores em fóruns abertos, contrariando a
lógica de negociata de cargos; a defesa da democracia interna, como pela
eleição direta para os Diretores dos campi de Araranguá, Curitibanos e
Joinville, e a disposição de reestruturar o Conselho Universitário; a defesa
dos direitos estudantis, moradia e RU em todos os campi, ampliação do número e
valor das bolsas, café da manhã no RU; abertura do Centro de Cultura e Eventos
gratuitamente; contratação de professores e técnicos efetivos; apoio a
iniciativas de extensão popular. Esses são apenas alguns dos pontos que
consideramos importantes.
     Certamente
a direita da universidade estará disposta a disputar esta gestão para seus fins
particularistas e privatistas. Por outro lado, se o movimento estiver
organizado, com um programa que expresse uma clareza de que rumo seguir, de que
UFSC queremos, as possibilidades reais de lutas e aquilo que acumule força para
uma transformação profunda da estrutura universitária, poderemos construir
experiências que sirvam de exemplo para uma universidade referenciada nos
interesses dos “de baixo”, dos setores populares e dos trabalhadores que
historicamente se vêem fora do circuito universitário, apesar de manterem essa
instituição pública de ensino superior.
     A JCA
apoiou Roselane desde as eleições em que foi eleita vice-diretora e depois
diretora de centro, apoiou a chapa Roselane e Lúcia no primeiro e segundo turno
das eleições. Analisamos esse processo eleitoral como um importante passo.
Agora é preciso seguir avançando e sabemos que várias contradições serão
enfrentadas no caminho. Defendemos uma UFSC Popular, que expresse política e
cientificamente os anseios mais profundos do povo brasileiro e catarinense. O
conhecimento não deve ser voltado à acumulação de capital, aos lucros de poucos
que transformam a universidade em um balcão de negócios. Democracia interna,
ensino-pesquisa-extensão voltado aos interesses da maioria explorada e
oprimida, à superação das mazelas e desigualdades sociais, difusão de um
conhecimento crítico, reversão de processos privatizantes, são desafios que
deverão ser enfrentados pela próxima gestão da reitoria e pelo movimento
universitário nos próximos anos. A tática será avançar na organização do
movimento de baixo para cima, avançar nas conquistas democráticas e caminhar
rumo à Universidade Popular, crítica e criadora!
Viva
a vitória da chapa Roselane e Lúcia!
Por
uma UFSC Popular!
Juventude
Comunista Avançando
Dezembro
de 2011