A Juventude Avançando na década de 80

A Juventude Avançando na década de 80

A primeira experiência de organização da JA ocorre na primeira metade da década de 80, como uma tendência estudantil, aglutinando os jovens estudantes alinhados com as posições de Luiz Carlos Prestes (LCP).
O rompimento de LCP com o PCB influenciou muitos militantes, sobretudo jovens, que acabam saindo com ele do Partido. Prestes defendia que era necessário a construção de um Partido de novo tipo, efetivamente revolucionário, e para isso era necessário preparar quadros revolucionários, conhecedores do marxismo-leninismo com uma elaboração criativa sobre a realidade brasileira. Prestes analisava que os erros e os desvios do PCB decorriam de uma estratégia equivocada aplicada de forma dogmática em nosso país, pois para ele, como expressa claramente na “Carta aos Comunistas” (1980), “não se pode separar a elaboração de uma estratégia revolucionária da estratégia de construção de uma organização revolucionária”. No PCB da época, mantinha-se o velho equivoco de que para se fazer a revolução socialista no Brasil, era necessário antes, liberar nosso país do jugo imperialista. Contrapondo o etapismo, estes camaradas que romperam com o PCB defendiam que a estratégia para a revolução brasileira era socialista, e que era necessário elaborar as devidas mediações dentro da formação social capitalista dependente e da consolidação de um poder burguês organizado na forma de Estado Autocrático.
No entanto, os tempos não eram nada fáceis para a organização dos comunistas, pois a crise do PC não foi uma particularidade de nosso país. Esta crise estava vinculada com a eminente derrocada da União Soviética (URSS). As teses de que a história havia acabado e que o socialismo não era possível ganharam muita força, fazendo com que a social-democracia e o reformismo passassem a ser a direção da política brasileira, levando a grande maioria dos jovens a organizar-se no PT. Os “Comunistas Alinhados às Posições Revolucionárias de Luiz Carlos Prestes”, como ficaram conhecidos no início, não capitularam com nenhuma forma de reformismo ou revisionismo, e seguiram defendendo a estratégia socialista em tempos muito difíceis. Assim, estes comunistas organizaram a Juventude Avançando em 1983, fruto da necessidade de articulação nacional dos militantes comunistas que atuavam no movimento estudantil.
As experiências do movimento estudantil da época estavam associadas à luta contra a ditadura e à reorganização das entidades estudantis. Os estudantes identificados com LCP atuavam em Centros Acadêmicos (CA’s) e Diretórios Centrais de Estudantes (DCE’s) com destaque para os estados de RS, SC, RJ, DF, PB e CE. Em 1979, ocorre o enquadramento da Diretoria do DCE da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) na Lei de Segurança Nacional – decorrente da Novembrada – protesto contra a ditadura convocado pelo DCE-UFSC e que adquiriu expressão de revolta popular. Este episódio dá projeção nacional aos militantes da entidade. Na época, muitos militantes identificados com LCP participavam da sua diretoria (ainda militantes do PCB).
A reorganização da entidade dos estudantes catarinenses, a União Catarinense dos Estudantes (UCE), e a construção de um movimento estudantil em todo o estado colocou a JA como tendência hegemônica do movimento estudantil de Santa Catarina. No Congresso da UCE de 1983 se identificavam com as propostas da JA aproximadamente 400 delegados, representando cerca de 80% dos participantes. As principais bases políticas da JA no estado, além de Florianópolis, eram Blumenau, Criciúma e Joinville, onde os militantes eram organizados em bases por cursos. Em 1984 a participação da JA no Congresso Nacional da União Nacional dos Estudantes (UNE) possibilita a indicação para a executiva da entidade – diretor de relações internacionais – um integrante da JA e estudante da UFSC.
A segunda metade da década de 80 foi marcada pelo processo de desarticulação paulatina da JA. Dificuldades de articulação nacional e processos políticos locais foram colocando obstáculos para a reprodução política dos quadros da juventude que após a sua formatura perdiam o vínculo com o espaço estudantil.