A JCA homenageia o camarada Marcos Cardoso Filho com a criação de núcleo de base na cidade de Joinville

Marcos Cardoso Filho nasceu em maio de 1950 na cidade de Tubarão (SC).
Filho de pai agricultor, mudou-se ainda criança com a família para a região de Itapocu,
próxima de Joinville e Araquari. Marcado desde cedo pelo amor à leitura e por
não seguir a rígida disciplina que era imposta nas escolas e colégios que
frequentara, Marcos passou algumas dificuldades nesse período. Aos 17 anos
ingressou no colégio estadual Governador Celso Ramos, em Joinville, onde deu
seus primeiros passos na militância política, construindo o grêmio estudantil
da escola, atuando em peças de teatro e outras atividades. Nesse período,
através de João Jorge de Sousa, estabelece contato com Teodoro Ghercov e entra
para o então Partido Comunista Brasileiro (PCB). No fim dos anos 1960, então,
mudou-se para Florianópolis, onde foi estudar Engenharia Elétrica na
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Marcos foi desde o início muito ativo no movimento estudantil de
Florianópolis. Chegou a compor chapa para as eleições indiretas do Diretório
Central dos Estudantes (DCE) da UFSC no fim dos anos 1960, mas a mesma foi
cassada pela repressão, que favorecia a chapa de Rodolfo Pinto da Luz (que mais
tarde seria reitor da UFSC, ocuparia cargos no alto escalão do Ministério da
Educação na era FHC, e seria nomeado Secretário de Educação de Florianópolis
nos governos Dário Berger e César Souza Júnior). No início dos anos 1970
começou a lecionar Física no Colégio de Aplicação da UFSC, universidade na qual
mais tarde seria professor de Engenharia e onde seria responsável por organizar
o PCB. Nesse período, também fez parte da composição do Comitê Estadual do PCB
em Santa Catarina e o Comitê Municipal em Florianópolis, sendo o responsável
pelo setor de Agitação e Propaganda estadual do Partido.
Em 1973, começou a dar aulas na Escola Técnica Federal de Santa Catarina
(ETFSC; hoje IFSC). Dois anos depois, em novembro de 1975, foi preso junto de
42 outras pessoas no estado na Operação Barriga Verde (OBV). Levado
inicialmente para Curitiba, para a sede do DOI-CODI que operava por trás do
estabelecimento de fachada que era a Clínica Marumbi, foi severamente torturado
pelos militares, com castigos que incluíam ser pendurado no pau-de-arara, ser
sufocado em sacos amarrados na cabeça, afogado várias vezes seguidas em baldes
d’água, ter café fervente e outras substâncias despejadas sobre as genitais e
sofrer eletrochoques durante mais de 10 horas a fio. Mais tarde, foi levado
para a prisão no quartel da Polícia Militar em Florianópolis, onde
reestabeleceu contato com sua família.
Nesse período, escreveu uma carta denunciando a tortura que sofreu no
DOI-CODI que, graças ao professor francês Jean-Marie Farines (com quem
trabalhou na UFSC), ganha repercussão internacional e resulta em um documento
encaminhado em julho de 1976 pela Anistia Internacional para autoridades
brasileiras com 772 assinaturas de pessoas de várias nacionalidades pedindo sua
libertação, prontamente negada. Em setembro de 1976, a Justiça Militar realiza
uma audiência no auditório da ETFSC para julgar o relaxamento de prisão de 26
presos da OBV, expondo Marcos Cardoso Filho na frente de seus alunos em uma
cena que seria marcante para todos eles. Marcos tem seu pedido de relaxamento
negado, e continua preso sem ter data para um julgamento de seus supostos
crimes. Professores da UFSC chegaram a fazer um abaixo-assinado pedindo sua
liberação para dar aulas em regime semiaberto, sem sucesso. Em abril de 1977,
decide fazer greve de fome, sem resultado. Em fevereiro de 1978, é julgado em
Curitiba e condenado a 3 anos de prisão. Dois meses depois, é libertado.
Marcos voltou a dar aulas na UFSC em maio de 1978. Em agosto do mesmo
ano, o diretor da ETFSC, Frederico Guilherme Buendgens (que assumiu a cadeira
no início da ditadura civil-militar, em 1964, e só saiu após seu fim, em 1986)
decide expulsá-lo da instituição por justa causa por ter sido condenado pela
ditadura. Ainda assim, Marcos era professor destacado na UFSC, no laboratório
de automação e na área de computação. Acabou morrendo eletrocutado em 1983, aos
33 anos, em um acidente enquanto passeava de barco com outros cinco familiares
na Costa da Lagoa, em Florianópolis, causado pela má instalação da rede de alta
tensão feita às pressas, nas vésperas das eleições.
A Juventude Comunista Avançando reconhece o histórico de lutas
incansáveis do camarada Marcos Cardoso Filho e valoriza sua militância,
homenageando-o com a nomeação de seu recém-criado núcleo de base em Joinville
(SC), composto hoje por estudantes do IFSC e de engenharia da UFSC, e que muito
se ligam a história de sua juventude nesta cidade e de suas atividades nestas
instituições. Marcos Cardoso Filho, presente!

Foto: Lourival Bento.