A JA na década de 90

A JA na década de 90

No início da década de 90, o RS e a PB eram os estados que possuíam uma organização expressiva de estudantes identificados com LCP. No congresso da UNE de Campinas-SP apresentamos Tese e realizamos atividades paralelas ao congresso, sem participar da composição de chapas. Esta pode ser identificada como a última participação organizada da JA desta sua primeira fase. Nos anos seguintes a desintegração foi muito significativa e apenas militantes isolados participaram dos Congressos da UNE. Ocorreu um esvaziamento organizativo em todos os estados. 
Este processo ocorre numa conjuntura adversa para a luta comunista do final do século passado. As transformações regressivas do socialismo no Leste Europeu, o enfraquecimento político e militar das resistências revolucionárias na América Latina, o isolamento econômico de Cuba, e particularmente a morte de LCP, podem ser identificados como fatores que debilitaram a JA. 
A primeira resposta organizativa a esta conjuntura adversa foi a organização da Corrente Comunista Luiz Carlos Prestes (CCLCP) em 1992, 2 anos após a morte de LCP, buscando organizar de forma mais efetiva os comunistas identificados com a política de LCP. Na segunda metade da década de 90, com a reorganização de uma base estudantil da CCLCP na UFSC, a reorganização da JA passa a ser uma questão prioritária para os militantes da base estudantil.
A reorganização da JA ocorre dentro de um processo de atuação política no movimento estudantil. Já em 1995, ficam evidentes as diferentes perspectivas de atuação política do movimento estudantil e são criadas as condições para a construção política do processo de reorganização da JA. Primeiramente, definiu-se uma política de alianças com movimentos sociais, em especial com o MST, possibilitando a nossa participação em ocupações de terra e a realização de estágios de vivência em assentamentos da reforma agrária. São questões que vão forjando uma militância que se identifica na prática com a classe trabalhadora e com a construção do socialismo no Brasil. Organiza-se o Grupo de Ação Política Florestan Fernandes – um círculo de atuação política dos membros da CCLCP junto aos estudantes da universidade. Os enfrentamentos políticos do movimento estudantil e a capacidade de respostas a este movimento vão forjando as bases para o debate de reorganização da JA.