A crise estrutural do capital

Jornal Avançando

O
capitalismo atualmente tem apresentado elementos novos, mantendo e aprofundando
as suas contradições internas. As manifestações dessas contradições levam
periodicamente a crises, que exigem do próprio sistema a reorganização de suas
forças de produção para a abertura de novos ciclos de reprodução ampliada do
capital.

As
crises cíclicas são conhecidas há bastante tempo e possuem ciclos de duração de
aproximadamente 10 anos. Mais tarde, descobriu-se que esses ciclos são partes
constitutivas de ciclos maiores, as chamadas “ondas longas”, com
duração de aproximadamente 50 anos divididos em dois períodos: um de
crescimento acelerado e outro de crescimento desacelerado. É possível situar na
história quatro destas ondas longas: (1º): 1793-1825 – [1826/47]; (2º): 1848/73
– [1874/93]; (3º): 1894-1913 – [1914/39]; e (4º): 1940/45-1966 – [1967-…]).
Estas ondas longas estão relacionadas com movimentações do capital de longo prazo,
como as mudanças na “tecnologia de base” da produção ou as variações
da abrangência geográfica da sociedade do capital.
Em
geral, as medidas apresentadas como respostas à crise têm como objetivo a
desaceleração da queda da taxa média de lucro, tendência inexorável do
capitalismo. Para isso, é necessário expandir mercados e ampliar a exploração
da força de trabalho. Cada vez tem sido mais difícil para o capital sair deste
tipo de encruzilhada. A terceira onda longa (1894-1913–[1914/39]), por
exemplo, encerrou-se apenas após condições terríveis para a humanidade: o
nazi-fascismo e a II Guerra Mundial. Desde a década de 1970, o capitalismo tem
visto suas crises se intensificarem cada vez mais. Alguns fatores específicos
contribuíram para dar certo fôlego momentâneo ao capital, como o fim da URSS e
o avanço do capital sobre a China, que representaram uma expansão do domínio capitalista
sobre parcela significativa da população mundial que vivia no bloco socialista.
Mas a partir dos anos 2000, as crises cíclicas já voltaram com força e o que
vemos agora é um movimento que se aproxima de um continuum depressivo. Isso ocorre, pois as crises cíclicas atuais compõem a crise estrutural que possui
características específicas: trata-se de uma crise global (tende a afetar todos os países e ramos de produção), universal (afeta todas as esferas da
vida social – ambiental, política, moral, etc.) e que tende a se intensificar,
pois o período entre as crises cíclicas
que se dão no interior da crise estrutural tende a diminuir
. Aquilo que a
humanidade conheceu no período 1945-1967 nos países centrais como “estado de
bem-estar social” já está, agora, em processo avançado de desmonte. Tudo é
privatizado. Tudo o que era mais duradouro torna-se mais descartável para
acelerar os ciclos de reprodução do capital (a chamada “obsolescência
planejada”). O setor de serviços assume mais a lógica industrial. A inovação
tecnológica é mais acelerada. A indústria armamentista (que produz mercadorias
muito caras, compradas com dinheiro de fundo público e utilizadas, quando isto
ocorre, para destruir mercadorias, abrindo espaço para novas) cresce sem parar.
Todo o bônus para o capital e todo o ônus para o fundo público, este é o grande
mote da política econômica de nosso tempo.
É
nesse contexto que deve ser analisado o imperialismo como fase específica e
superior do modo de produção capitalista em seu estágio monopolista. Lênin
caracterizava os cincos traços
fundamentais do imperialismo moderno
como: o desenvolvimento dos
monopólios, o surgimento do capital financeiro como fusão do capital bancário
com o capital industrial, a partilha do globo entre as grandes corporações, a
formação de associações internacionais de monopólios, e a exportação de
capitais (diferente da exportação de mercadorias do período colonial). Assim,
não se trata de um modo de fazer política, mas de um conjunto de relações e
determinações próprias do desenvolvimento do capitalismo e que possuem ampla
base material.
No
quadro da crise estrutural, o que está colocado é a tendência ao acirramento de conflitos interimperialistas
e a guerra contra os povos
: o desenvolvimento dos monopólios a nível
mundial não pode acabar completamente com a concorrência, com os conflitos
existentes na manutenção dos Estados nacionais.
A agressividade do imperialismo foi intensificada nos últimos anos, capitaneada pelos EUA e em muitos casos com o apoio da União Europeia – UE. É o caso da constante investida contra a Síria que só interessa ao imperialismo. O país está sendo ameaçado pelas articulações dos EUA com seus aliados externos e mercenários do “Exército de Libertação Sírio”. Por isso, é necessário lutar contra qualquer forma de intervenção militar imperialista seja através de invasão ou do financiamento de grupos mercenários que atuam no interior do país. Defendemos o direito do povo Sírio à autodeterminação e à soberania.
A América Latina tem sido uma importante referência para a luta dos trabalhadores e dos povos oprimidos. O imperialismo estadunidense opera permanentemente articulado às classes dominantes locais, adotando as mais variadas formas de atuação: em Honduras foi um golpe com presença militar, no Paraguai um golpe articulado através do parlamento. Na Venezuela, na Bolívia e no Equador as tentativas de desestabilização política por parte oposição das burguesias com o apoio do imperialismo são constantes. A experiência venezuelana tem propiciado importantes avanços dentro da ordem a favor dos explorados e oprimidos. Ampliou-se o espaço para a organização popular e a luta contra o imperialismo. Acreditamos, no entanto, que é necessário que as organizações e entidades da classe trabalhadora sejam fortalecidas, gestando formas de poder que se contraponham ao domínio ainda forte da burguesia, permitindo ao proletariado assumir a direção do processo revolucionário em direção ao socialismo. Na Colômbia, a luta pela paz com justiça social é fundamental. Neste sentido, somos solidários à Marcha Patriótica, movimento político e social que tem conseguido unir os setores populares e democráticos na luta por mudança social. A abertura de diálogos de Paz com as FARC-EP foi uma grande conquista, mas para poder avançar é preciso que acabem as manobras do Estado colombiano e do presidente Juan Manuel Santos, que continua a aprofundar a sua política de guerra interna.
A
dimensão da luta de classes na atualidade ganha contornos próprios no processo
civilizatório: o atual período é o mais crítico para a sobrevivência da
humanidade em toda história. As necessidades do sistema do capital chocam-se
frontalmente com as necessidades das classes trabalhadoras e do povo. A grande
questão colocada do ponto de vista teórico é de que não há mais nenhuma
possibilidade desta crise ser superada pela via capitalista. Entretanto, a
crise estrutural não significa que o capitalismo cairá sozinho: é preciso
compreender que a luta pelo socialismo é mais urgente do que nunca.
O
caminho alternativo à sociedade do capital é a sociedade sem classes sociais,
na qual os meios de produção são socializados e controlados por aqueles que
realmente produzem a riqueza, a produção será voltada às reais necessidades
humanas e não à acumulação, de forma planificada e racionalizada em harmonia
com o meio ambiente. O século XXI será dos trabalhadores! O comunismo é a
juventude do mundo!

Texto originalmente publicado no JA no. XII