A chama do Festival Mundial de Juventudes e Estudantes permanece viva!

O Festival Mundial de Juventude e
Estudantes (FMJE) há 70 anos se consolidou na consciência de milhões de
pessoas. Em 1947, durante um período em que os povos ainda estavam tentando
superar os escombros que o fascismo e o nazismo deixaram na Segunda Guerra
Mundial, milhares de jovens progressistas de todo o mundo, sentindo a
necessidade de unidade internacional, implementaram o FMJE.
Para a história, o 1ª FMJE foi
acolhida pela Checoslováquia Soviética na bela cidade de Praga em 1947. Muitos
foram aqueles que correram para condenar a FMJE e seu propósito, ao tentar
alinhá-la totalmente com a política externa da União Soviética. Mas a realidade
estava em outro lugar, já que o próprio FMJE, que mais tarde se transformou em
movimento, negou aqueles elementos maliciosos, enviando simultaneamente uma
forte mensagem de paz, amizade e solidariedade
No entanto, é um fato inegável
que a União Soviética permanece na história como um firme defensor do FMJE, pois
na realidade, fortaleceu e apoiou o movimento do festival, sediando-o várias
vezes com desprendimento e altruísmo. As ideias e os ideais que o próprio
festival estava promovendo desde o início, estavam também profundamente
enraizados na consciência dos povos dos países soviéticos.
O curso histórico do FMJE, começou
no ponto inicial da Guerra Fria, logo após a vitória antifascista dos povos. No
entanto, contra o fluxo dos desenvolvimentos do período, com a intensificação
da Guerra Fria e da propaganda imperialista, o Movimento do Festival conseguiu
professar a unidade e a amizade da juventude de todo o planeta. Essencialmente,
a realização do primeiro festival em 1947, destinado a fortalecer o movimento
juvenil antiimperialista internacional, onde em novembro de 1945 em Londres,
estava estabelecendo suas fundações através do congresso fundador da Federação
Mundial da Juventude Democrática (FMJD). A FMJD foi seguida então pelo
estabelecimento da União Internacional de Estudantes (IUS) em Praga em agosto
de 1946.
A IUS e a FMJD desenvolveram uma
ação conjunta e em 1947 tomaram a decisão histórica de conduzir o 1º FMJE. A
luta conjunta destas duas organizações contra o fascismo, o imperialismo e o
colonialismo foi o catalisador da sua cooperação, uma cooperação que deu origem
ao FMJE. Assim, em conjunto, as duas organizações internacionais assumiram o
papel decisivo de coordenadoras do processo preparatório, juntamente com a
responsabilidade organizacional principal de cada FMJE. A FMJD, que permanece
viva e ativa até hoje, com o legado de sua história, se estabeleceu como o
principal pilar do Movimento do Festival.
A partir de 1947, o FMJE perpassa
pela história, se desenvolve, cresce e fortalece, e junto com o FMJE, as vozes
dos povos oprimidos e injustiçados também são fortalecidas, dos povos que lutam
pela libertação contra o colonialismo, daqueles jovens que lutavam por direitos
trabalhistas, à educação, ao entretenimento e ao esporte. Sucessivamente em
cada FMJE que se seguiu, com sua participação, milhares de jovens que estavam
sob o domínio colonial, aproveitaram a oportunidade para receber apoio
internacional e solidariedade para a sua luta de libertação nacional. Milhares
de jovens da Ásia, Europa, América Latina, Oriente Médio e África fundaram a
luta anti-imperialista, a solidariedade internacionalista e a amizade dos
povos, como características, mas também como ideais do Movimento do Festival.
O Festival de Praga foi seguido
pelo Festival de Budapeste (1949), Berlim (1951 e 1973), Bucareste (1953),
Varsóvia (1955), Moscou (1957 e 1985), Viena (1959), Helsinque (1962), Sófia
(1968), Havana (1978) e Pyongyang (1989).
Com a dissolução da União
Soviética em 1991, muitos foram aqueles que correram para julgar
antecipadamente o desenlace do Movimento do Festival. Em seu esforço para
enterrar a luta dos povos e derrubar a continuidade de ideias e ideais
específicos, eles correram para enterrar tanto o Movimento do FMJE juntamente
com a Federação Mundial de Juventude Democrática.
No entanto, a FMJD ainda não
havia dito sua última palavra, manteve-se de pé apesar das dificuldades que
existiram durante os anos 90 e superou o intenso debate sobre qual orientação
ser seguida. Durante os anos 90, à frente da FMJD, principal organizadora do
FMJE, havia uma estrada repleta de obstáculos e dificuldades. Os
desenvolvimentos internacionais da época, a restauração do capitalismo e a
vingança ideológica de seus defensores, criaram confusão mesmo nos círculos do
FMJD. Várias organizações-membro da FMJD foram dissolvidas.
No entanto, apesar das condições
difíceis que a FMJD foi chamada a enfrentar, com a determinação de várias
organizações membros, que declararam consistência no seu papel de membros da
Federação e com os momentos importantes da 14ª e 15ª Assembleia Geral do FMJD
em Lisboa (fevereiro de 1995) e Lárnaca (fevereiro de 1999) respectivamente, o
FMJD enviou uma forte mensagem de que a militância da juventude do mundo não
foi dissolvida nem extinta. Contra a agressão imperialista bárbara, a juventude
progressista do mundo levantou sua responsabilidade e prometeu continuar a luta
dada por todas as gerações anteriores da FMJD.
A preservação da própria FMJD e
sua ação também intensificaram a unidade dos jovens e dos povos que lutavam
contra o imperialismo. Essa escalada também criou a necessidade de
implementação do 14ª FMJE. No entanto, em 1997 o 14ª FMJE é realizado, elo
veio, pelo contrário, numa época em que muitos estavam convencidos de que a
chama do FMJE havia findado e que com a ausência da União Soviética a
realização de um Festival era impossível. Com a contribuição decisiva do povo
cubano e do falecido líder da Revolução Fidel Castro Ruz, a instituição da FMJE
reviveu depois da interrupção temporária em 1989. Graças à militância do povo
cubano e à contribuição pessoal de Fidel Castro, o FMJE ficou com sucesso na
“Ilha da Revolução” em 1997, depois de oito anos. Com a FMJD
novamente na vanguarda, os processos foram iniciados para a realização do 14ª
FMJE.
O 14º FMJE permanece na história
como um dos mais importantes. Os jovens do mundo, em 1997, enviaram uma forte
mensagem anti-imperialista de um país que até hoje enfrenta a agressão
imperialista. O Festival de 97 constitui um fato que significou a continuação
da série de Festivais. Cuba foi seguida pela Argélia (2001), pela Venezuela de
Hugo Chávez (2005), pela África do Sul de Nelson Mandela (2010) e pelo Equador
(2013).
Com o tempo, e especialmente
depois de 1990, muitos foram aqueles que tentaram copiar o FMJE, mas o
resultado de seu esforço não teve sucesso e não estava relacionado em nenhum
dos casos com o FMJE. No entanto, os círculos dominantes não ficaram apenas nos
esforços de cópia, ao verem o relançamento do FMJE, eles tentaram organizar um
“Anti-Festival”, tanto em 1997 como em 2001. Apesar dos esforços de sabotagem,
o FMJE permaneceu intacto e vivo, superando o ataque coordenado dos
imperialistas, demonstrou que mesmo com uma grande soma de dinheiro, mesmo com
a ajuda e o apoio dos meios de comunicação dominantes, eles não podiam
prejudicá-lo.
Assim, a história em si é um
testemunho de que ao longo de seu curso, a FMJD esteve consistentemente do lado
do povo e especialmente dos jovens que lutavam por seus direitos, contra o
colonialismo e o imperialismo, contra o saque e a escravidão dos povos. Na rota
e na passagem da FMJD, está incluído o Movimento do Festival, e sua história
mostra que, enquanto as ideias e os ideais permanecerem vivos, o própria FMJE
continuará a avançar com a parte mais progressista e militante da juventude
mundial. A história do Festival ensina-nos que a infraestrutura e as grandes
somas de dinheiro sozinhas não podem atingir as expectativas, nem tocar o
sucesso do FMJE. Mas os ideais de paz, a amizade dos povos, a solidariedade
internacionalista juntamente com a sede de luta antiimperialista, são os que
caracterizam o Festival e constituem a pedra angular do sucesso de cada FMJE.
Avançando, com a chama viva, o
ano de 2017 promete outro sucesso do FMJE. A Federação Mundial da Juventude
Democrática é mais uma vez a única organização internacional que lidera o
processo preparatório do 19º FMJE, que será realizado no próximo mês de outubro
na cidade de Sochi, na Rússia. Ao mesmo tempo em que se realiza o 19º FMJE, 100
anos desde a Grande Revolução Socialista de Outubro estarão completos, cujo
aniversário também será um dos temas principais do 19º Festival, uma vez que é
considerado um grande evento, tanto em seu caráter quanto em suas realizações,
e sua importância para o desenvolvimento do movimento antifascista,
anti-colonial e anti-imperialista.
O 19º FMJE será dedicado às
personalidades de Che Guevara e Mohamed Abdelaziz, cujos nomes estão
relacionados com a luta contra o imperialismo e o colonialismo. Che é um símbolo
moderno da luta, seu rosto é encontrado nas bandeiras e cartazes nas marchas e
demonstrações de jovens, estudantes e trabalhadores. Sua ação permanece ligada
ao FMJE, uma vez que  Che, com a crença
de que a opressão humana e a injustiça não têm fronteiras, lutou contra o
imperialismo por um mundo de paz e solidariedade.
O 19º FMJE acrescentará outra
página gloriosa na história do Movimento do Festival sob o título “Por
Paz, solidariedade e justiça social lutamos contra o imperialismo – Honrando
nosso passado, construímos o futuro”. Continuando com os ideais da FMJE,
os jovens do mundo, junto com a FMJD e através do 19º FMJE, darão as mãos para
se tornarem os “CONSTRUTORES” do mundo da paz e da solidariedade, um
mundo livre do imperialismo, deste sistema global de dominação do capital e dos
monopólios, onde mesmo que pareça tão poderoso, não é invencível!
Nikolas Papadimitriou
Presidente da FMJD

Março de 2017
(Tradução para o Português – JCA)